segunda-feira, 19 de maio de 2008

Esboço

Confesso que tento mas as palavras renitem e não aparecem. De vez em quando surgem, muito timidamente, uma inspiração a qual esboço uns escritos que procuro ordenar e passar para o papel. Busco, então, mais inspiração na natureza. Acredito que aí residem todas as musas, dos pintores, dos músicos e dos poetas. Mas, é só começar e ver que os assuntos na mídia são outros. Não mais os temas sentimentais, as saudades, os sonhos e as alegrias de tampos passados. Visto desse modo, percebo que meu rascunho está mal-amanhado, inacabado como sempre.

É difícil abordar um assunto que não nos leve a comentar as baixarias,falcatruas, escândalos políticos, mentiras e mais mentiras que proliferam nos jornais, rádios e televisões. Ainda ontem, ouvi no radio sobre o assalto ocorrido na lanchonete aqui nas proximidades de casa. Chegaram a levar dinheiro, celulares e um carro. A apuração e punição desses eventos danosos não é mais objeto só de alçada federal ou regional, mas também de competência local, pela sua freqüente ocorrência.

É difícil fazer despertar a veia poética e menos ainda a criação literária.

Leio, sem querer, manchete do Diário de Natal onde se destaca “Dupla invade casa e leva jóias em Lagoa Nova”. Me fixei na notícia por ter parente morando naquele bairro. Me lembrei então de um personagem da cidade que todos os dias, ao sair de casa, dava de cara com um anúncio publicitário na parede em frente e ao qual todo santo dia, quisesse ou não,lia soletrando letra por letra. Um dia chamou o vizinho e pediu que apagasse o dito anuncio pois já não agüentava mais a sua leitura.

É difícil escrever. Não é só na parede em frente que abundam sem-vergonhices e falcutruas. Não é fácil pensar em algo que não seja um escândalo político. E vai ficando mais difícil escrever. Ao menos, a casa invadida em Lagoa Nova não foi a do meu parente. Ao menos as chuvas arrefeceram.

quarta-feira, 30 de abril de 2008

A Lição

Ano 1963. Vânia, Regina, Angela, Filomena, Francisco Mendonça, Juscelino, Ysabel Isaura e Elisabeth - Imagem do site Azogue.com



Soube do óbito de Francisquinho de Tita. Assim, contada ao pé de ouvido como se o mensageiro duvidasse do afirmado. Morava na vizinha cidade de Mossoró, onde vivia em harmonia com a família e em concórdia com seus semelhantes. Sempre o conheci um benemérito. Membro de decania onde figuram nomes como Antonio Gentil Fernandes, Vicente de Paula Gurgel Dutra, Sebastião Amorim de Souza, Álvaro Antonio de Souza, José Brasil Filho, João Reinaldo da Costa e Antonio Felix Sobrinho, entre outros.
O tempo em que o conheci era a década de sessenta, quando todas as atividades florescia e prosperava as margens do rio Ivipanim. Alí, na rua da Praia, empresas de navegação, a Mesa de Renda Alfandegada e todo o resto do comércio tinham suas ações voltadas para o desenvolvimento sócio-ecônomico da cidade. E foi nesse cenário que Francisquinho de Tita se destacou.
Depois veio a Casa Amarela.
Ele semeou nos irmãos a semente da árvore da vida em união e ensinou que todos devem aproveitar de sua sombra. Sempre viveu em plena Obediência. Choremos, choremos, choremos... Mas, tenhamos esperanças! Pois nós somos livres porque praticamos as ações por amor as obras e não por interesse.

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sábado, 5 de abril de 2008

Prudência e Reticência

Há muito que desabituei dos noticiários. Abandonei-os desde que a moda da globalização pegou, creio. Nem mesmo o noticioso Hora do Brasil - programa oficial e tido por muitos como padrão - escuto. Eles já não trazem nenhuma boa notícia para nós trabalhadores. Não ouso nem mesmo discutir com os amigos os assuntos que são manchetes nos principais jornais, por sucedâneos e vergonhosos demais.

Assim, comecei a passear nas telinhas da tevê, assistindo desenhos-animados e novelas. Fazendo deles um novo hábito. Programas que passaram a fazer parte da minha rotina noturna, no horário nobre das oito horas. Aos poucos fui percebendo a correlação entre as notícias veiculadas na mídia com as situações dos personagens, tanto nas novelas quanto nos desenhos. Cito por exemplo dois momentos da novela Desejo Proibido. É lá que vive o prefeito Viriato Palhares – um dos ilustre filho de Passaperto. Num, o seu assessor sugere que ele acrescente a palavra condor ao seu nome, passando a se chamar Viríato CONDOR Palhares, pois num país da America do Sul, um político usou o nome de um crustáceo, juntou ao nome e saiu-se vitorioso. Noutra o novo prefeito interventor pede a um jornalista que publique nota inverídica, ele diz ao repórter: você coloca na primeira página em letras maiúsculas e vira verdade. Pronto!

Eu vi, assim, a arte imitando a vida. Reciprocam-se, pois, a vida e a arte, na vida real.
Não é sem motivo que tenho guardado em minha memória, o concurso prestado no vestibular de Administração. Em um dos quesito da prova de matemática perguntava-se qual o percentual de notícias verdadeiras em determinado jornal. Depois da demonstração do enunciado, dava as seguintes alternativas como resposta: 100%, 80%, 50% ou nenhuma das alternativas. A resposta certa dizia ser de cinqüenta por cento o número de notícias verdadeiras divulgadas no jornal.
Era a época dos sonhos. Os verdes anos da minha vida.

quinta-feira, 27 de março de 2008

Amigo do Rei

Chico de Zé Pedro
Valter, Cação, Leitinho e Xerém
Seu Quinca, Viana, Toinho de Leônidas e Bigode
Cachinês e Bibinga

Outro dia li, não sei se num blog ou num dos jornais, um comentário sobre os bons tempos que viveu o futebol areiabranquense. O ano da matéria era 2006. Falava dos craques já revelados pelo nosso futebol. E citava a formação acima, de dezesseis anos atrás do Vasco da Gama, aqui de nós como diria um ribeirinho.

Não fui um craque, muito menos atleta de final de semana. Mesmo assim, considero-me integrado ao meio.
Fui o meu modo, um colaborador do futebol. Fosse freqüentando os estádios – ainda no saudoso Campo da Saudade, depois Gentil Fernandes, que ficava ao lado do cemitério. Ou dando ajuda nas campanhas dos times. Era pouco, mas considerava de grande valia posto que era de ajuda que sobrevivia o valoroso futebol areia-branquense.
Tenho guardado um recorte de jornal da capital, onde na primeira página, numa manchete avulta-se o time do interior vencedor do Matutão, destacando a equipe, comissão e colaboradores. Sem falsa modéstia, tem meu nome.

Não guardo um time predileto, mas lembro do Ipiranga, São Paulo, Grêmio, Internacional.
Sem obedecer a uma ordem cronológica nem posições em campo, cito os craques do meu tempo – esses eu vi atuarem: Valter, Charuto – (um grande goleiro). Vi outras duplas, mas não como Mundinho e Beque. Louro, Lourinho, Toinho de Leônidas, Pelé (um matador, se fosse hoje) Uma extensa galeria com figuras exímias. Era bonito de se ver o futebol desses jogadores. Tinha charme, era de categoria!
Miguel Ramos, Chico Romão, Felinto Azevedo, Zé Trajano, entre outros, merecem serem lembrados, sempre!

quinta-feira, 20 de março de 2008

Refletindo

Nunca, nunca mais tarde, deixei de lembrar dos áureos tempos de Areia Branca. Tampouco, a comodidade de uma aposentadoria me permitiu a impudência de dizer: enfim tudo vai bem! A verdade é que crescí ouvindo e guardando os ditos proverbiais dos mais antigos. À hora das refeições, quando alguém não comia, seu José costumava dizer "o bocado não é pra quem o faz, mas pra quem o logra". Entendia que ele queria dizer coma senão outro vem e come! Um conceito que encerrava prudência, lógica e sobrevivência.
Era um senhor de moral, numa mistura de brasileiro/inglês. Não era carismático mas, impunha respeito pelos ditos e atitudes. Servidor público cioso dos deveres, destacava-se mais pela polivalência de seus dotes artesãs que burocráticos. Mantinha uma oficina em uma de suas áreas externa da casa. Alí tudo se construia. Cadeiras, mesas, bancos, botes e mais se possa criar na variedade entendida artesonar.

Os meios de educação avançaram. Não vejo mais esses procedimentos. Mudou a metodologia do ensino porém, ainda acredito nos valores morais.

Ele se foi. Sempre lembro de seus ditos e atos.
Essas lembranças, nestes tempos de reflexão juntaram-se as imagens da Mãe e do Filho, passo a passo a caminho do Gólgota. `Lembrando que Jesus é o Rei. A Cruz um símbolo de esperança e de salvação

quarta-feira, 5 de março de 2008

Viver e as Células

Gosto muito do Jogo de palavras cruzadas. Faço-os desde a idade de quinze anos, mais ou menos. Comecei observando outros resolvendo-os. Ai, comecei a praticar nos jornais e nas revistas. Sempre usando lápis grafite, que depois eu apagava e recomeçava tudo de novo.

Com o tempo eu peguei gosto e não larguei mais. Atualmente eu compro as revistas e uso lápis esferográfico – um preto e outro vermelho. O lápis vermelho eu utilizo para as palavras que eu não sei ou não conheço, como no enigma: significado de “meno” em “menopausa” =mês. (por exemplo) Ai anoto tudo num caderno que depois transcrevo datilografado para outro que uso como banco de dados.

Ano passado aconteceu o campenato mundial de jogos de passatempo, ou o WPC - World Puzzle Championship, em outubro e foi no Rio de Janeiro, patrocinado pela Ediouro, com provas individuais e em grupo. Os três primeiros lugares, por equipe foram Estados Unidos, Japão e França o Brasil ficou com o 15º lugar. Individualmente foi o húngaro Pal Madarassy. Leonardo Facci, paranaense, conquistou o 56º lugar.

Assim, vou sobrevivendo e esperando chegar aos oitenta anos de idade, ou quem sabe mais além, com a memória ativa. Sei, no entanto, que outros assim não podem fazer, por conta da memória perdida ou deteriorada. Os neuronios e as células-tronco estão em discussão no Supremo Tribunal e são esperanças para muitos.

segunda-feira, 3 de março de 2008

Cabeça de Peixe

Semana passada fui consultado por amigo do Orkut sobre o paradeiro de algumas pessoas, antigos moradores deste rincão adorado e amado denominado Areia Branca. Entre elas, destaquei a figura de Zé Barros. Uma ilustre pessoa que tive o prazer de conhecer, e nos meus tempos de ócio criativo, "beber" de sua sabedoria. Os nossos encontros, a maioria deles aconteceu quase sempre entre rodada de amigos.
O professor José Nicodemos, que além de poeta é jornalista, em suas crônicas na Gazeta do Oeste, sempre tem ressaltado a inteligência do sr. Zé Barros. Seus trabalhos a frente da prefeitura. É lastimável a sua perda.
Morreu recentemente, cedo, aos noventa anos de idade ainda lúcido.

Dos filhos, não sei quantos ele teve, lembro de poucos. Por algum tempo frequentei o lar de Dª Dapaz de quem minha tia Luizinha era muito amiga. Nessa época fiz amizade com os mais moços Kleber, Flávio e Mano Barros. Com esses, mais tarde e em tempos diferentes, solidifiquei os laços de amizade.
Por oportuno, lembro que, segundo dito aqui pelas bandas da praia, a cabeça de peixe é boa pra memória. Peixe é bom pra saúde.